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Estúdios perdem 15% nas bilheteiras por filme devido às greves em Hollywood

Tiago Silva, 23 de agosto de 2023 06:31

No passado fim de semana, o cenário no lote da Paramount Pictures numa tarde quente era invulgar - para dizer o mínimo. Enquanto o estúdio organizava o que era essencialmente uma estreia para Tartarugas Ninja: Caos Mutante sem o seu elenco de voz presente. Em vez disso, o realizador Jeff Rowe teve que estar sozinho no tapete verde num evento que foi anunciado como uma exibição especial para famílias.

Por todo Hollywood, os profissionais de marketing estão a ter de cancelar tours mundiais devido às greves simultâneas da WGA e da SAG-AFTRA, com os sindicatos a proibirem os seus membros de promover qualquer filme de estúdios que pertençam à AMPTP.

Agora, de acordo com informações avançadas pelo THR, a bilheteira mundial começa já a sentir o impacto das greves à medida que os filmes estreiam sem a participação total das suas estrelas e dos seus argumentistas. Várias fontes dos estúdios relatam que os rendimentos de um filme nas bilheteiras podem ser prejudicados até 15 por cento devido à dramática queda na publicidade impulsionada por talentos.

Tartarugas Ninja: Caos Mutante acabou por enfrentar um golpe duplo, uma vez que, para além de ser um dos membros do elenco, Seth Rogen é também um dos argumentistas do filme e tem sido incapaz de fazer qualquer publicidade desde que a greve dos argumentistas começou há mais de 100 dias. A estreia nos cinemas aconteceu a 2 de agosto (em Portugal, chegou a dia 10), e registou uma respeitável abertura nos EUA de $43,1 milhões (em cinco dias). Em termos de puras receitas, os insiders da indústria acreditam que o filme sofrerá uma queda de $7 milhões a $10 milhões devido às restrições de publicidade.

Um executivo de marketing noutro estúdio observa que nenhuma quantidade de publicidade paga pode compensar a consciencialização que uma estrela pode gerar se uma publicação pessoal nas redes sociais, entrevista ou outro elemento promocional se tornar viral. "Não ter atores a fazer publicidade aos filmes é uma grande desvantagem para a campanha geral.", disse o executivo. "Perde-se o impacto cultural de ter talento a falar sobre o filme. Alguns filmes não teriam funcionado de qualquer forma, mas teriam mais hipóteses."

Dezenas de filmes estão previstos estrear-se até ao final do ano. Alguns estúdios já inclusive fizeram alterações nos seus calendários de estreias devido à falta de publicidade e espera-se que muitos outros sigam os mesmo rumo, como é o caso da Warner Bros., que pondera adiar Aquaman and the Lost Kingdom e Dune - Part 2 para 2024.

"A incapacidade das estrelas participarem ativamente na promoção dos seus filmes definitivamente deixou a indústria em alerta", disse o analista Paul Dergarabedian da Comscore. "Embora o impacto nas bilheteiras seja difícil de quantificar com certeza matemática, não há dúvida de que esta tradição de longa data tem valor.", concluiu.